Olha,
só te quero dizer que se tu me ligasses hoje eu ia dizer tanta, mas
tanta coisa. Talvez fosse até capaz de dizer tudo aquilo que escondi
desde o início da nossa relação. Ia dizer-te que devias ter lutado por
mim mais vezes, em vez de ficares sempre à espera que eu corresse atrás
de ti. Ia dizer-te que acreditei que tu eras o meu grande amor, e que
daqui a uns anos nos íamos reencontrar e voltar
a ver o que nos fez apaixonar um pelo outro. Ia gritar-te que nunca te perdoei por me teres prometido que por muito más
que as coisas ficassem, nunca irias embora, e depois teres ido milhares
de vezes sem cumprir essa promessa. Ia dizer-te que me apaixonei por ti
muitas vezes, sempre de formas diferentes. Ia dizer-te que ontem ainda
chorei por ti e as saudades tuas ainda me deram a volta à cabeça. Ia
dizer-te que por ti cometi loucuras. Tu provavelmente por esta altura
já me tinhas desligado o telemóvel, mas eu ia continuar, de tão embalada
que estava. Ia dizer-te que houve um tempo em que eu quis repetir tudo,
viver tudo de novo contigo, desde o primeiro “olá”. Ia rir-me de todas
as tuas piadas e tu ias ficar feliz. Talvez assim as coisas entre nós
resultassem. Ia dizer-te que embora possas ter outra pessoa na tua vida, sei que ainda ando para aí dentro de ti, há momentos que nunca se esquecem. Há um dia na minha vida que
me vai sempre fazer chorar, e isso nem o tempo vai apagar. Ia dizer-te
que o que tu és sempre esteve presente, eu é que muitas vezes tapei os
olhos. Ia dizer-te que afinal consigo viver sem ti, ao contrário do que
tu pensavas. Ia dizer-te que ninguém mais vai gostar de ti como eu
gostei, ninguém mais vai ficar na tua sombra por gostar de ti. Ninguém
mais vai olhar para ti como eu olhei, ninguém mais vai cuidar de ti como
eu cuidei. Tu sempre precisaste de grandes gestos, de coisas palpáveis,
mas sinceramente, enquanto esperavas por coisas grandiosas perdeste
todos os sacrifícios e pequenos gestos que eu fiz por ti. Dizes que eu
nunca fiz nada por ti, acreditas mesmo nisso? É que quando tu não tinhas
ninguém com quem falar, era eu que lá estava. Quando tinhas um
problema, era eu que te ouvia e apoiava. Era sempre eu que te mostrava o
teu valor. Era eu que acreditava em ti, era eu que te mostrava a
realidade das coisas. Então diz-me que eu nunca fiz nada por ti, se
fores capaz. E esqueceste que já faltei um dia inteiro às aulas para
estar contigo. Deixei de ter os meus amigos por ti. E sim, deixei de
fazer coisas que gostava para estar contigo. Deixei passar momentos
importantes na vida dos meus amigos para te satisfazer. Deixei de falar
com pessoas para controlar os teus ciúmes. Odiei raparigas por tu me
provocares e dizeres que elas eram melhores que eu. E nunca, nunca fiz
nada por ti? Sabes ainda bem que foste embora. Ainda bem que não ocupas
mais espaço na minha vida, ainda bem. E digo-te, não estares na minha
vida foi a melhor escolha que eu fiz, por isso agora não voltes mais.
Porque quando eu quis, quando eu precisei, tu não estavas lá.

Nenhum comentário:
Postar um comentário